quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Shiiuuuu

'Esquece o ponto final, constroi um parágrafo unido em apenas duas partes: eu e tu. Com inicio, meio, sem fim... Envolve-me entre virgulas, beijos feitos de reticências prolongadas e intensas que nem mesmo as palavras sabem contar. Depois? Não digas nada, o teu corpo diz-me tudo. E é no silêncio que mais desejo sinto. Shiuuuuuu, já te pedi para que não digas nada. Peço-te páginas em branco para que eu me deite sobre elas como lençóis brancos de puro prazer. No fim, deixa-me o teu ombro para que eu possa descansar e continuar uma história, não de amor. O título esquece-o, desenho apenas no cantinho de cada folha uma estrela, aquela que no fim acabou por aparecer quando eu menos esperei. Toca-me com a força de um ponto de exclamação. Tira-me tudo, dando-me tanto. Tira-me a roupa, a inocência, tira-me o sufoco que é não te ter colado a mim como folhas que não se desgrudam com batôn desenhado e perfume humedecido nelas mesmas, dá-me o que mais precioso tens, que são os teus beijos, os teus lábios, o teu corpo, as tuas mãos que tanto sabem... O resto não sei, ensina-me, como se faz nos livros de rituais antigos onde o pó esconde ainda segredos. Tenho um cadeado, para que ninguém saiba, prometo-te.'




Do mundo da lua
da lua da loba .